A Deus

Não é tempo de dizer adeus.
A Deus pertence todo o tempo.
Sempre que quiser dizer adeus
A Deus entregue seu sofrimento


As vezes meu eu cético não suporta a saudade da fé...

Rabisco inacabado


Em plena aula de Psicoterapia Infantil, estava eu a pensar sobre a questão da Loucura, numa leitura de Foucault. A ascensão à insanidade é contemplada mais uma vez em um circulo antropológico.

Felipe Neto - O Pseudo Critico

Ser famoso hoje em dia implica muito mais em ESTAR do que SER. Este garoto deverá desfrutar de seus 15 minutos de fama para, tão-logo esgotando o seu apelo de consumo, ser substituído por outro tartufo-impostor animador da corte para o puro deleite do simplismo adolescente. Noutras palavras, na prática, este adolescente se mistura com o próprio objeto de sua crítica.

Foi assimilado como a "pseudo crítica que se embute no próprio consumo de ruindades e quinquilharias as quais pretende o mesmo direcionar as suas " ‘sagazes’ intempestividades". 

No final das contas, ele preenche, na ordem sistêmica do consumo, uma crítica vazia e impotente de efetivar-se enquanto mudança de paradigma da indústria cultural, mas a sua atuação assemelha-se ao do filme que tira sarro de filmes, enfim, ele torna ainda mais forte e lucrativo o próprio sistema que pretende atacar e derrubar. O “consumo da crítica” tal qual está instalado em nossa sociedade contemporânea não é efetivo para que ganhe contornos de crítica.

Não há potencial revolucionário em verborragias do tipo - como o mesmo, a julgar pelo tom confiante de sua fala, parece vislumbrar. Agora só lhe resta colher os beatos frutos do frívolo sucesso e esbaldar-se com o meticuloso cinismo de atuação de que fará uso-fruto de sua efêmera fama.

Cegueira...

Há algo muito pior que a cegueira - é a certeza de que a sua visão é perfeita e o horror de saber que não há nada ao seu redor para ser visto.

Querem meu Sangue

Dizem que guardam bom lugar pra mim no céu
Logo que eu for pro beleléu.
A minha vida só eu sei como guiar
Pois ninguém vai me ouvir se eu chorar.
Mas enquanto o sol puder arder
Não vou querer meus olhos escurecer

Pois se eles querem meu sangue
Verão o meu sangue só no fim.
E se eles querem meu corpo
Só se eu estiver morto, só assim.

Meus inimigos tentam sempre me ver mal,
Mas minha força é como o fogo do Sol.
Pois quando pensam que eu já estou vencido
É que meu ódio não conhece o perigo.
Mas enquanto o Sol puder brilhar
Eu vou querer a minha chance de olhar.

Pois se eles querem meu sangue
Verão o meu sangue só no fim.
E se eles querem meu corpo
Só se eu estiver morto, só assim.

E eu vou lutar pra ter as coisas que eu desejo.
Não sei do medo, amor, pra mim não tem preço
Serei mais livre quando não for mais que osso,
Do que vivendo com a corda no pescoço.
Mas enquanto o Sol no céu estiver
Eu vou fechar meus olhos quando quiser.

Pois se eles querem meu sangue
Verão o meu sangue só no fim.
E se eles querem meu corpo
Só se eu estiver morto, só assim.

- Cidade Negra